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Startups viram opção para quem não tem seguro saúde

11/02/2019
Fonte: FONTE: Terra
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A administradora Luísa Cusnir trabalhava na divisão de saúde de uma corretora de seguros e decidiu pesquisar por que o número de sinistros era tão alto. Descobriu que a maior parte das doenças – inclusive aquelas tratadas em pronto-socorro, como enxaqueca e sinusite – poderiam ser evitadas com prevenção baseada em alimentação adCom ajuda de tecnologia, novatas podem otimizar consultas, exames e até mesmo cirurgias, barateando custos

Toda semana ao menos um paciente do cirurgião cardiovascular Marcus Vinicius Gimenes lhe fazia o mesmo pedido. “Doutor, não tenho mais plano de saúde, o senhor pode me dar um desconto na consulta particular?” De tanto ouvir a frase, Gimenes usou sua veia empreendedora para criar o Consulta do Bem. A startup, baseada no conceito de economia compartilhada, oferece consultas, exames, vacinas e até cirurgias a preços acessíveis para quem não tem plano de saúde.

A empresa foi comprada, há cerca de um mês, pela BenCorp, gestora especializada em benefícios de saúde para o setor corporativo. Gimenes, porém, não foi o único a explorar o filão: há diversas startups surgindo com foco em quem não tem seguro-saúde. De 2014 para cá, o total de brasileiros clientes ativos desse setor caiu 6%, para menos de um quarto da população.

Assim como outros exemplos da economia compartilhada, o segredo do Consulta do Bem é usar recursos subaproveitados – no caso, horários vagos de médicos em seus consultórios. Com o apoio da tecnologia, é possível aproveitar o efeito de rede para ocupar esses espaços. Na média, diz Gimenes, esse tempo ocioso corresponde a metade do período de trabalho dos profissionais.

Ao usar o serviço da startup, o paciente agenda uma consulta com um dos 3 mil profissionais cadastrados na plataforma, a partir de horários previamente oferecidos pelo médico. O pagamento é feito na hora, pela internet – e cada sessão sai por R$ 100, um terço do preço de uma consulta normal. “Como o pagamento é feito antes da consulta, as ausências despencam. O paciente consegue pagar menos, e o médico aproveita melhor seu tempo”, diz o fundador da Consulta do Bem.

Para os pacientes, a empresa tem um sistema parecido com o do Dr. Consulta, pioneira no setor, criada em 2011. Pelo site ou aplicativo da empresa, é possível agendar visitas a médicos, dentistas, marcar exames e pequenas cirurgias. A diferença é que os profissionais do Dr. Consulta atendem não em consultórios próprios, mas nas mais de 60 clínicas da startup, hoje distribuídas entre São Paulo e Rio de Janeiro.

Clube

A tecnologia também foi o que permitiu o nascimento da Dandelin, em abril de 2018. É uma espécie de clube de saúde: o usuário acessa o app da empresa e, se precisar, marca seu procedimento com um dos mais de 400 médicos cadastrados. No fim do mês, a startup soma quantas consultas foram realizadas por seus clientes e divide os custos entre os “sócios”.

O usuário, portanto, paga uma assinatura de custo variável – algo como a conta de água em um condomínio, por exemplo. Pode haver mês que o usuário fez cinco consultas e paga o equivalente a uma, assim como mês em que ele não vai ao médico e terá de pagar. “Invariavelmente, é bem menos que o valor da mensalidade do plano. Hoje, o máximo que se paga são R$ 100 por mês”, diz Mara Redigolo, cofundadora e diretora de operações da Dandelin.

Tendência

Para especialistas, os serviços que miram aqueles que não têm planos de saúde tendem a crescer, porque há indícios de que os convênios médicos fiquem ainda mais caros. “A população está envelhecendo, o que aumenta a incidência de doenças crônicas e a complexidade nos tratamentos, subindo também o custo das mensalidades”, afirma Leonardo Nunes, especialista em saúde da Cèdre Consultoria.

Além disso, o número de profissionais informais ultrapassou o de trabalhadores com carteira assinada pela primeira vez em cinco anos em 2017 – situação que ainda não foi revertida. Hoje, os planos de saúde individuais chegam a ser até 58% mais caros do que os coletivos, dependendo da região do país, o que torna os convênios inacessíveis para mais pessoas – os dados são da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

Integração

Depois de se formar na Universidade Harvard e trabalhar dois anos no Quora, rede social de perguntas do Vale do Silício, a engenheira Deborah Alves voltou ao Brasil em maio de 2018 para colocar no ar a Cuidas, serviço voltado à saúde da família. Com foco corporativo, a companhia já conquistou cinco empresas como clientes – cada uma delas paga R$ 70 por mês para cada funcionário cadastrado, que pode usar serviços de acompanhamento de sua saúde. Além de consultas marcadas, a Cuidas também deixa que o usuário tire dúvidas em tempo real, pelo celular, resolvendo problemas comuns ou indicações de especialistas.

“Para empresas que têm plano, é algo que diminui a sinistralidade e as faltas de funcionários que vão ao médico”, diz Deborah. “Já para as corporações que não têm, é um benefício que pode ajudar a atrair talentos.” Apesar de ter menos de um ano, a Cuidas já recebeu investimentos dos fundos Kaszek Ventures e Canary. Além da mensalidade paga pelas empresas, a Cuidas também fatura por consulta – recebe, em média, R$ 20 por sessão agendada.

Atuar ao lado dos planos de saúde também é a meta da Central da Saúde, fundada em 2011 pelo empreendedor Bruno Peres. A empresa leva fonoaudiólogos, fisioterapeutas e outros profissionais à casa dos pacientes – muitas vezes, esses tratamentos não são cobertos pelos planos de saúde. Com mil profissionais parceiros, que realizam, em média, 5 mil procedimentos por mês, a empresa fechou 2018 com receita na casa de R$ 4 milhões. “O médico salva, mas é o fisioterapeuta que devolve a vida ao paciente”, brinca Peres.

Prevenção também vira negócio para startups

A administradora Luísa Cusnir trabalhava na divisão de saúde de uma corretora de seguros e decidiu pesquisar por que o número de sinistros era tão alto. Descobriu que a maior parte das doenças – inclusive aquelas tratadas em pronto-socorro, como enxaqueca e sinusite – poderiam ser evitadas com prevenção baseada em alimentação adequada. Com esses dados em mãos, fundou em 2016 a N2B, empresa que auxilia as pessoas a se alimentarem melhor.

Após receber investimento de R$ 150 mil da aceleradora de startups Ace há dois anos, além de um aporte recente e de valor não revelado da Sociedade Israelita Albert Einstein, a empresa soma 700 novos cadastros ao dia; hoje, já tem 60 mil usuários.

Os clientes podem mandar para a N2B quantas vezes quiserem imagens de suas refeições e um time de nutricionistas os ajudam remotamente a entender se estão se nutrindo de acordo com suas necessidades de saúde. “Só o fato de nos enviar as imagens dos alimentos já melhora a consciência sobre o quanto aquilo é saudável e, assim, tendem a ter menos de ir ao médico ou hospital”, explica Luísa.

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